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Pragas Urbanas – Cupins

Os Cupins alimentam-se principalmente de "produtos celulósicos", incluindo-se aí vegetais vivos como mudas de eucalipto, plantas de arroz e toletes de cana. Algumas espécies alimentam-se de madeira morta ou serrada, atacando mourões de cerca, móveis, portas, batentes e armários. São as mais conhecidas das populações urbanas.

O mecanismo de alimentação destas sociedades não cessa após a ingestão inicial dos alimentos ditos "brutos",. já que estes percorrem caminhos bastante longos. Na verdade, passam de um indivíduo para outro, sendo portanto uma alimentação solidária e com características entre os cupins, bem diferentes das de outros grupos de insetos sociais. Essa alimentação solidária é o fator maior do gregarismo de tais sociedades.

O cupim é capaz de destruir até concreto e alumínio na busca de celulose. É o mais antigo dos insetos chamados "verdadeiramente sociais" (pelo tipo de organização da comunidade em que vive).

Cerca de duas mil espécies de cupins são conhecidas ao redor do mundo. Elas estão disseminadas na maioria dos países tropicais e podem ser encontradas também em alguns países temperados. São seres incompletos, incapazes de uma existência independente e organizados em castas com rígidas funções sociais.

Os OPERÁRIOS são cegos e estéreis. Trabalham 24 horas por dia perfurando plantas ou madeiras em busca de alimento para si e para outros membros da comunidades, inclusive o casal real.

Os SOLDADOS representam um caso exemplar de adaptação fisiológica à função na colônia: geneticamente programados para defender a comunidade dos inimigos, eles adquirem uma blindagem na cabeça e mandíbulas grandes e fortes.

As NINFAS, ainda sem identidade formada dentro do grupo, alimentam-se - durante duas semanas após saírem dos ovos - de resíduos regurgitados pelos operários. Assumem posição nas castas posteriormente, como soldados ou operário. A rainha é capaz de produzir 1 ovo.

RAINHA e REI também possuem funções determinadas: acasalar-se e por ovos. A rainha é capaz de produzir um a cada 28 segundos, num total de até três milhões por ano durante o seu período de vida - que pode variar de 25 a 50 anos. O abdômen da rainha cresce após a fecundação, passando de dois a três milímetros de comprimento e os ovos permanecem incubados por duas semanas, sob os cuidados dos cupins-operários.

Na colônia existe um código de comunicação específico entre a rainha e seus súditos: por meio de mensagens químicas - pequenas gotas hormonais transmitidas boca a boca -, a rainha "conversa" e orienta soldados e operários.

Embora existam várias famílias de cupins, o ritual para a perpetuação da espécie é semelhante em todas as colônias. Ao atingirem a maturidade - estágio determinado por um processo hormonal - os eleitos, divididos em machos e fêmeas alados, alçam vôo em dias predominantemente quentes e úmidos, quase sempre na primavera ou outono. Auxiliados pelos operários, todos os reprodutores e reprodutoras adultos deixam a comunidade ao mesmo tempo, numa "revoada nupcial".

Nesse processo, os cupins invertem um comportamento característico da espécie: são atraídos pela luz, em vez de se esconderem dela. A fragilidade das asas faz com que a planagem se transforme num rito de vida e morte ao mesmo tempo. Em média, 0,5% sobrevive, iniciando com os parceiros o processo de acasalamento, enquanto o restante é atacado por predadores, como pássaros silvestres, aves caseiras, mamíferos, morcegos e outros insetos. Os sobreviventes começam, então, a busca da chamada "câmara nupcial" - um espaço de procriação, onde nascerá uma nova colônia.

CUPINS SUBTERRÂNEOS

O Coptotermes integra o grupo dos cupins subterrâneos. Com mais de 45 espécies descritas, é um dos cupins que mais prejuízos causa à madeira, em todo o mundo. Nas Américas, há 5 espécies desse gênero. O Coptotermes havilandi é a espécie assinalada nas áreas urbanas do sudeste brasileiro, onde marca sua presença nas épocas quentes do ano (de agosto ao final do ano), mediante impressionantes revoadas crepusculares.

A população nas colônias maduras de Coptotermes é enorme, com dezenas de milhares a alguns milhões de indivíduos. Os soldados são numerosos, possuem cabeça amarelada, providas de longas mandíbulas. Quando incomodados, exsudam pela fontanela (um poro à frente da cabeça, que serve para eliminar o exsudato produzido por uma glândula cefálica, denominada glândula frontal) uma volumosa gota de líquido leitoso, que logo coagula entre as mandíbulas.

O Coptotermes aproveita as fezes como material para a edificação do ninho e túneis a ele associados. As fezes, pastosas, são pacientemente depositadas pelos cupins, até resultarem em formidáveis ninhos, cujo volume com freqüência ultrapassa 0,5 m 3 . Nos túneis externos o cupim freqüentemente adiciona partículas de solo. Tipicamente, todo local de trânsito de Coptotermes apresenta revestimento de pequenos discos fecais, confluentes.

Os ninhos são tipicamente do tipo cartonado. São subterrâneos ou construídos em locais bem abrigados nos vários pavimentos das edificações (espaços estruturais em geral, como porões, poços de ventilação e de elevadores, subestruturas de pisos, paredes e lajes duplas, caixas de eletricidade e telefonia, e caixões perdidos em geral), escuros e de má ventilação, os quais asseguram a umidade necessária ao desenvolvimento da colônia. Quando presentes nos andares superiores das grandes edificações, não necessitam contato direto com o solo, desde que haja fonte de umidade suficiente para a prosperidade da colônia. Árvores ornamentais constituem excelente reservatório urbano do cupim, por albergarem colônias enormes no interior do tronco e raízes.

Dos ninhos irradiam túneis por onde transitam expedições forrageiras, com soldados e operários. Os túneis são subterrâneos ou percorrem toda a infinidade de espaços e frestas que permeiam as edificações (juntas de dilatação, rachaduras, trajetos de tubulações hidráulicas, interior de conduites, etc.). Quando construídos em locais mais expostos, geralmente estão dissimulados nas arestas e fendas em geral.

CUPINS DE MADEIRA SECA

O gênero Cryptotermes tem 9 espécies nas Américas. São conhecidos por cupins de madeira seca. Cryptotermes brevis é a mais comum entre nós, e também está presente em outras regiões do mundo. Essa espécie é estritamente antropófila e nunca foi encontrada em ambientes naturais. Mesmo nas cidades, infesta apenas a madeira interna às edificações (madeiras estruturais e mobílias); não ataca árvores e tampouco madeiras abandonadas no exterior das construções humanas.

As colônias de Cryptotermes , mesmo as maiores, contém apenas uns poucos milhares de indivíduos. A população vive restrita ao interior da madeira de que se alimenta, que é invariavelmente madeira seca. Não procura contato com o solo. A capacidade de colônias completas habitarem peças pequenas de mobiliário, facilmente transportáveis e sem sinais externos evidentes denunciadores da infestação, torna o cupim de fácil propagação para novas peças e favorece o transporte e introdução da praga em regiões geográficas até então livres de infestação.

As revoadas ocorrem no período noturno. Os casais instalam-se diretamente na madeira, e preferem orifícios justos (frestas nos encaixes, furos de pregos ou de coleobrocas). Nas colônias maduras, a rainha é apenas pouco maior que o rei. Os solados acham-se presentes em número reduzido e são reconhecidos pela cabeça de tipo fragmótico (cilindróide e truncada na frente) e de cor castanho-avermelhada, escura a quase negra, em constrate com o colorido esbranquiçado no resto do corpo.

A superfície da madeira infestada é mantida quase intacta. Espaçados, vêem-se orifícios circulares, perfeitamente ocluídos por uma membrana de material lenhoso, com diâmetro de 1-2 mm. Periodicamente esses orifícios são abertos, para a expulsão de uma miríade de pelotinhas fecais secas, ou para a saída de alados em revoada. No interior da peça o cupim escava cavidades alargadas, comunicadas por passagens estreitas. Em algumas cavidades há acúmulo de grânulos fecais secos, que serão oportunamente eliminados. Gradualmente, as cavidades vão sendo corroídas e alargadas. Em infestações prolongadas, quando a maior parte da madeira já foi consumida, restará apenas fina superfície intacta, quebradiça, e umas poucas divisórias internas, separando câmaras espaçosas. A peça torna-se quase totalmente oca.

As pelotas fecais de Cryptotermes amontoam-se no exterior da peça infestada, abaixo dos orifícios de expulsão. Assemelham-se a grânulos de trigo, e são muito duras, secas e roliças. Eventualmente, o cupim utiliza as pelotas para ocluir passagens do ninho, que por qualquer motivo deixaram de ser utilizadas.

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