O futuro da sanitização para além da pandemia

Não resta dúvida de que da pandemia de COVID-19 ajudou a impulsionar a sanitização. Antes pouco conhecida como um bom investimento para manter a saúde e segurança dos diferentes ambientes, a sanitização ganhou uma visibilidade incrível com o surgimento e expansão da pandemia causada pelo SARS-CoV-2. Entretanto, está mais do que na hora de desvincularmos a sanitização da pandemia e estimular outros caminhos a serem percorridos para explorarmos todo o potencial que a sanitização pode nos oferecer.

No início da pandemia, pouco se conhecia sobre a dinâmica dessa nova doença, especialmente em relação às suas formas de transmissão. Por isso, num primeiro momento utilizamos o conhecimento que tenho sobre outras doenças semelhantes, como a gripe, para desenvolver as melhores medidas para conter a expansão da COVID-19. Assim, ao longo de 2020 foram recomendados o distanciamento social, uso de máscaras, a lavagem das mãos e a sanitização das superfícies para evitar a transmissão a partir dos fômites (superfícies contaminadas capazes de transmitir os microrganismos entre pessoas). Assim foram surgindo várias cenas de produtos desinfetantes sendo aplicados em diversas superfícies. Vimos a população higienizando todos os produtos que compravam no mercado, caminhão pipa lançando desinfetantes nas ruas, carros sendo desinfetados ao entrar em cidades… No entanto, com o passar do tempo, os estudos foram mostrando como de fato a COVID-19 é transmitida e como essa dinâmica contribui para a rápida disseminação da doença pela população. Então, vamos entender o que se sabe até agora sobre a transmissão da COVID-19.

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Gotícula X Aerossol

A transmissão de doenças por vias aéreas, como a gripe, envolve a liberação dos microrganismos pelas secreções nasais e orais. Ou seja, uma pessoa infectada lança no ar os microrganismos através de pequenas partículas de água que permanecem em suspensão no ar por um tempo até cair por gravidade em alguma superfície. A transmissão pelo ar ocorre, então, quando uma segunda pessoa inala essas partículas contendo os microrganismos.

Essas partículas que lançamos no ar pode ter diferentes tamanhos, o que nos leva aos conceitos de gotícula e aerossol. As gotículas são geralmente maiores e mais pesadas, caindo com mais rapidez e, consequentemente, ficando menos tempo em suspensão. As doenças transmitidas dessa forma requerem uma aproximação entre as pessoas, pois as gotículas tendem a cair e não alcançar uma distância superior à 2 metros. Por isso esse distanciamento foi recomendado para prevenir a COVID-19.

Por outro lado, estudos mais recentes têm demonstrado que o SARS-CoV-2 pode ser transmitido por aerossóis. O aerossol é menor que a gotícula, logo mais leve e, consequentemente, permanece por mais tempo em suspensão no ar. Assim, a transmissão da doença é potencializada, especialmente em ambientes fechados onde não há a circulação do ar, pois os microrganismos permanecem por mais tempo em suspensão e conseguem alcançar pessoas a mais de 2 metros de distância. Hoje, essa é a forma mais responsável pela disseminação dos casos de COVID-19 e, por isso, não podemos esquecer jamais de usar máscaras sempre e evitar locais fechados e aglomerações.

A questão das superfícies

Muitas doenças também podem ser transmitidas através de superfícies contaminadas. Uma vez que os microrganismos caiam nessas superfícies, eles podem entrar em contato com outras pessoas que tocam nesses locais, especialmente com as mãos, e levam os microrganismos até o rosto, onde eles alcançam o nariz e a boca. Entretanto, para que isso ocorra, esses microrganismos precisam permanecer viáveis (vivos) nessas superfícies por um tempo. Estudos mostram que o vírus Influenza, causador da gripe, pode sobreviver em superfícies por até 48 horas, tempo suficiente para que várias pessoas entrem em contato com essa superfície contaminada. O rotavírus, causador de uma diarreia de origem viral, também pode permanecer viável em superfícies e ser transmitido dessa forma. Bactérias causadoras de infecções hospitalares podem permanecer por vários meses aderidas em superfícies. Esses dados mostram o potencial que essa via de transmissão tem para disseminar essas doenças.

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Em relação ao SARS-CoV-2, no início acreditava-se que essa forma de transmissão era considerável, especialmente quando comparamos a dinâmica da COVID-19 com doenças semelhantes, como a gripe. Estudos mostraram que o novo Coronavírus era identificado em várias superfícies, porém esses estudos observavam a presença do RNA do vírus e não a partícula viral capaz de causar a doença em novas pessoas. Hoje, é um consenso na comunidade científica de que o SARS-CoV-2 permanece viável nas superfícies por um período muito curto, sendo rara, portanto, a transmissão da COVID-19 através de superfície. Com isso, cada vez mais teremos que rever os protocolos de prevenção da doença, especialmente no que se trata da sanitização das superfícies. Ou seja, apesar de a pandemia ter ajudado a trazer protagonismo à sanitização, precisamos enxergar esse método para além da pandemia, pois muitos outros benefícios podem ser obtidos pela sanitização.

Mas afinal, para quê posso usar a sanitização?

Não estamos dizendo que a sanitização não tem utilidade para auxiliar no combate à pandemia. Mas é importante ter consciência de que a sua participação é secundária, uma vez que os dados mostram que a transmissão da COVID-19 por superfícies é rara se compararmos com a transmissão direta pelo ar. Assim, é necessário ter cuidado ao afirmar que a sanitização deixa o ambiente protegido contra a COVID-19, pois isso dá a sensação de que não há risco de contágio em locais sanitizados, o que não é verdade.

Se a pandemia ajudou a sanitização a ganhar uma ótima projeção, é importante agora sabermos pensar no futuro dessa importante medida de promoção de saúde e segurança nos ambientes. Diversas outras doenças podem ser transmitidas por superfícies contaminadas e a sanitização pode oferecer benefícios nesse contexto. Então onde a sanitização pode ser empregada?

Em residências, é comum vermos problemas com excesso de umidade, cômodos que não recebem luz natural e locais com muitos estofados, cortinas e carpetes. Além disso, áreas residenciais apresentam aparelhos de ar condicionado e ventiladores que merecem atenção. Essas características favorecem o crescimento de fungos e bactérias que causam problemas respiratórios, como infecções, alergias, asma e rinite. Assim, a sanitização pode ser utilizada para reduzir a carga microbiana nesses locais e melhorar a qualidade do ar. No mesmo contexto, casas de repouso apresentam semelhanças, com o agravante de ser habitado por mais pessoas e geralmente pessoas idosas.

Ambientes de trabalho também precisam se preocupar com a qualidade do ar, especialmente porque muitos escritórios possuem baixa circulação de ar associado à presença de muitos funcionários dividindo o mesmo espaço. Além disso, muitas superfícies (inclusive banheiros) são compartilhadas pelos funcionários, o que pode favorecer a transmissão de doenças. Dessa forma, escritórios e prédios comerciais são bons lugares onde a sanitização pode fazer a diferença.

Outros ambientes que podem ser mencionados incluem restaurantes, rede hoteleira, indústrias e clínicas, onde doenças respiratórias e gastrointestinais podem ser transmitidas por superfícies. Assim, existe vida para a sanitização além da pandemia e já está na hora de aproveitar essa projeção dada pela COVID-19 para criarmos a cultura de usar a sanitização da forma correta e para a prevenção de outras doenças infecciosas.

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